“A Serpente”, última peça escrita pelo dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, em 1978, desnuda as relações entre dois casais que dividem um mesmo apartamento, expondo intimamente a vida das irmãs Guida e Lígia e de seus maridos. Após um ano de casados Lígia e Décio ainda não consumaram a união e por conta da impotência do marido ela continua virgem. Frustrado, o casal separa-se, ficando Lígia desesperada a ponto de tentar suicídio, quando é surpreendida por Guida que, na tentativa de salvar a irmã, acaba oferecendo a ela uma noite com seu próprio marido, Paulo.
A partir de então surgem os conflitos que vão caracterizar e dar consistência brutal a esta, que é considerada uma tragédia de fôlego curto, na qual as personagens são tragadas pela impossibilidade de resistir ao desejo e, de maneira sagaz e cruel, conduzidas pelo instinto, pela paixão. Negando os aspectos da construção psicológica, característicos do dramaturgo, Guida, Lígia, Décio e Paulo não tem tempo para refletir, apenas agem, o que faz com que a história ganhe uma velocidade devastadora na vida dos quatro.

Estréia